Outubro rosa nos chama conversar sobre o câncer de mama

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Vivo!. Todes convidades!

Desde a Psicoanálisis lacaniana ofereço uma leitura, passando pelo conceito foucaltiano da biopolítica e suas facetas contemporâneas, como as exitista, capacitista e positiva; cujos lemas ” be happy” ” woman/man self-made “, ” empresários de si mesmos” , ” responsabilize-se pelos teus sentimentos”,
empurram sujeitos à culpa. O que está abolido e prohibido dessa lista, como uma doença, resurge como resto indigerível dentro dessa cultura.

A instância freudiana do superego, opera lançando e simultâneamente prohibindo a mesma coisa, delimita então as representações e identificações do abolido e do admitido, cria então a idéia de responsabilidade. E o conceito de moda, a ” responsabilidade emocional” , faz parte do acervo popular( também de algumas disciplinas sociais) desde a vertente de solução ou de ” mal” , surge como resultado de uma suposta acumulação: ” muitos sentimentos negativos adoecem ” , ” acumulou muito, e olha o que aconteceu “, ” inteligencia emocional”, etc.

A idéia de acumulação apoiada pela crença numa ” energética ” que é uma fusão de alguma noção incompleta/parcial da física, misturada com idéias também incompletas/parciais da religião e do universo místico, conformam assim o novo sincretismo fundador de saberes populares: o sincretismo entre o pretendidamente científico e a religião.

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Essa fusão cria máximas não interrogadas, aceitas como um saber cuja verdade não é posta em questão. O pretendidamente científico, de corte popular ( que difere, em parte, do científico para os científicos)tem o alvará da fé. E a tirania do inferno religioso. Assim, assume-se que os sujeitos tem absoluta responsabilidade pelo o que os acontece: se adoeceu, é porque juntou emoções negativas. Então como sanação o falar, soltar, faz parte do pacote oferecido como tratamento, já que é parte do conceito popular sobre o adoecer.

Nada fica de fora deste circuito : infortúnios econômicos, relacionais, profissionais. A culpa recai sobre alguma ação acumulativa energética ou por negligência. Mas a culpa é sempre do indivíduo. A leitura não passa pelo social, transforma-se o social em um corpo individual. Então a grande chave da biopolítica é a de transformar o residual, os efeitos colaterais de composição neoliberal, numa culpa e responsabilidade individual. O sincretismo científico-religioso evade e retira a política e a econômia do centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, cria um panótico sem muros visíveis aos sujeitos : suas emoções negativas conhecidas e desconhecidas acumuladas.

Desde a psicanálise o ângulo se modifica. A noção de inconsciente tanto freudiano como lacaniano não é uma mera oposição ao consciente . Também não existe uma acumulação, não é um baú de lembranças tolhidas. A definição lacaniana: o inconsciente está estruturado em forma de linguagem. E tem mais, não está dentro da cabeça, se contrói com a palavra falada a um Outro, o ” entre” é a locação do inconsciente. De modo que não trabalhamos com a idéia de indivíduo, oposta à idéia de inconsciente. Trabalhamos com a hipótese de um sujeito do inconsciente( assunto) que surge ( não é energia acumulada) no próprio ato da fala à um Outro. Não surge sozinho nem individualmente. E o melhor que pode acontecer dentro da transferência é a localização desse sujeito, cada vez. Das suas marcas, que vem como enlaçamento de acontecimentos ( uma doença materna ligada à uma doença da analisante, por exemplo) as perspectivas sobre a questão. E no lugar de alimentar o superego com a tirânica e incoerente falácia de responsabilização emocional, conduzimos à aparição do infortúnio, e de como este, por efeito da linguagem, pega carona com outras questões.

Lic. Érica Raquel Rocha de Oliveira
Psicanalista
Cel.: 1153762200

Psicóloga formada pela Universidade de Palermo, Buenos Aires. Atualmente cursa Mestrado em Psicanálise na UBA e participa de discussões de casos clínicos lideradas por analistas da EOL. Tem experiência em coordenação de workshops e pesquisa crítica em conceitos psicanalíticos, com foco no atendimento em consultório particular.

Sobre Mim

Psicóloga brasileira com experiência em prática psicanalítica, especializada em terapia individual e pesquisa teórica. Atualmente cursa Mestrado em Psicanálise na UBA.

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